terça-feira, 20 de março de 2012

Saudades do meu pai

Ontem, dia 19 de março, completaram 10 meses da morte do meu pai. O tempo passa, mas não minha saudade, não meu aperto no coração, não a falta de ouvir sua voz, não a vontade de conversar com ele, não a dor que sinto...

Ele foi a minha base, meu chão, meu porto seguro, meu conselheiro, meu amigo, meu confidente, meu parceiro em várias traquinagens e brincadeiras, o pulso firme, o revelador das coisas boas e más do mundo, meu orientador e também desorientador, meu cozinheiro favorito, meu conselheiro, meu herói, meu ídolo.

Um homem sábio, que usava sua sabedoria no dia a dia, de uma forma a não se exibir, mas do jeito que aqueles mais atentos seriam capazes de perceber. E quantas lições ele mostrou.

A simplicidade era sua marca registrada, gostava de dizer "Eu vim ao mundo pelado, e agora eu tenho roupas, estou no lucro". Essa frase era para nos lembrar que o dinheiro não era tudo, existiam coisas mais importantes, e importantes foram seus filhos, eu e meu irmão Allan. 

Meu pai era do tempo da palmatória, do famoso bolo, não hesitava de aplicar em nossas mãos abertas duas ou três com o outro lado da escova de tirar pelos do terno. Doía mais nele do que na gente, passada a dor a gente lembrava que tínhamos feito algo errado, mas estávamos bem grudados nele, apreciando a sua preocupação e agradecendo pela sua existência.

Com ele aprendi o real sentido da fome. Era criança e como tal me achava a única cocada preta do tabuleiro, gostava muito de fazer as coisas ao meu jeito. Até que um dia eu fui convidada a almoçar e como toda criança levada respondi que não estava com fome. Naquele dia eu descobriria o que era sentir fome. Meu pai proibiu que a moça responsável por mim, me desse qualquer tipo de comida. Quando a barriga fazia mais barulho que uma escola de samba, ele veio até a mim e me disse: - " isso que você está sentindo agora sim é fome, é a mesma sensação daquelas crianças que batem na nossa porta pedindo comida, na casa delas falta comida, o horário de comer, é o horário que alguém se digne a oferecer um alimento. Aqui em casa temos horário, temos comida sobrando, valorize o que você tem, e lembre sempre dos que não tem". Não esqueci da lição, procuro colocar no prato somente aquilo que dou conta de comer, e sei de fato que fome eu nunca passei.

Sou filha de um Francisco e coincidentemente, o seu Francisco tem dois filhos, dois grandes orgulhos dele, e dele nos orgulhamos muito. O tempo continuará passando, mas não tudo aquilo que ele nos ensinou, não o carinho e dedicação que ele sempre teve por nós, não o grande amor que ele sempre demonstrou ter por nós, talvez essa grande dedicação nos conforte e nos dê a falsa e gostosa sensação que ele ainda está aqui bem ao alcance dos meu dedos, e que basta um telefonema para ouvir a sua voz rouca a me dizer: Oi Té  -(meu apelido colocado pelo meu irmão quando ele era bem pequeno e não conseguia falar meu nome completo e que até hoje na intimidade os dois me chamavam).

Saudades....





Começando com boa música

Há alguns anos fui apresentada a banda Coldplay, desde então, ela faz parte dos meus bons e maus momentos, já que alegria e na tristeza a música sempre é um bom remédio. Na minha seleção da semana indico a música Paradise, e também a tradução, uma reflexão sobre o que queremos para nós e onde estão os nossos sonhos e realizações...

Paradise - Coldplay


Paraíso

Quando ela era apenas uma garota
Ela esperava o mundo
Mas ele vôou fora de seu alcance
Então ela fugiu em seu sono

E sonhava com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Toda vez que ela fechava seus olhos

Ooohh

Quando ela era apenas uma garota
Ela esperava o mundo
Mas ele vôou fora de seu alcance
E as balas ficaram presas em seus dentes

A vida continua,
Ela fica tão pesada
O Ciclo da Borboleta se Rompe
Cada lágrima, uma cachoeira
Na noite, a noite turbulenta
Ela fechará seus olhos
Na noite
Na noite tempestuosa
Para longe ela voaria

E sonhos com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

Ela sonharia com o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

La-la-la-la-la

E assim por debaixo dos céus tempestuosos
Ela dizia: ''oh, ohohohoh
Eu sei que o sol deve se pôr para levantar"

E então debaixo daqueles céus tempestuosos
Ela diria oh-oh-oh-oh-oh-oh
Eu sei que o sol deve se pôr para levantar

Isto poderia ser o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

Isto poderia ser o para-para-paraíso
Para-para-paraíso
Isto poderia ser o para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Fim de semana e várias conclusões


Prestando contas comigo mesmo

A semana está chegando ao fim, o tempo passou voando, mas mesmo com essa impressão esses dias foram de muitos aprendizados e descobertas. Descobri que sou forte, mas que essa fortaleza toda pode despencar a qualquer momento. Descobri que tenho amigos verdadeiros, mas que mesmo assim as vezes me sinto sozinha. Descobri que tem pessoas que gostam silenciosamente de mim, e nesse silêncio fazem um bem terrível com gestos e ações bem simples. Descobri que pessoas guardam mágoas, e que essas mágoas parecem não passar com tanta facilidade. Descobri que podemos mudar de atitude, que isso dói, mas que quando estamos com vontade é possível. Nessa semana redescobri o quanto é dolorido ir a academia, dói abandonar a cama as 6 horas da manhã e mais ainda colocar o corpo para trabalhar. Mas lá encontrei pessoas dispostas a me ajudar. O ganho dessa semana foi saber que quando somos bons, recebemos a bondade em troca.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O gosto pelo proibido

A foto foi uma aventura, mas valeu.

O Palácio é lindo, mas ou trem grande.

O doce sabor do não.

Desde pequenos a gente tem uma atração pela frase "Não pode". Eita, mas é só ela sair da boca de alguém e ficarmos tentando por cometer tal infração, que pode ser grave, leve, mais ou menos ou passar despercebida. Mas o gosto e o prazer de quem faz, ah esse é imenso. Lembrei disso olhando uma foto no meu arquivo. Ela não foi tirada por mim, foi por um companheira de viagem. Estávamos as duas conhecendo o Palácio de Versalhes (Château de Versalhes) - na França, para todos os lados tinham símbolos, cartazes onde era claro o pedido: Nada de fotos. Pois bem, ali dentro é uma variedade imensa de obras de arte, esculturas, quadros, objetos, tanta coisa bonita, mas uma escultura nos chamou atenção. Ela estava logo na entrada que escolhemos, de um branco tão intenso, de formas tão definidas, que até parecia pessoas pintadas de branco.que imagem linda!!! Pois bem, lá nós duas admiradas com tudo na nossa frente e nada de poder tirar fotos... ah, mas eu num resisti, peguei a máquina emprestada e apertei o botão...rsss...um clarão surgiu, alguns olhares furiosos e ... nada aconteceu, ninguém viu de onde veio o flash inesperado...Eu com um olhar bem sério, ria por dentro por ter cometido tal burrice, mas não me dei por vencida, desativamos o flash e ai sim, tiramos a foto. Ei ai o registro, tiramos outros, bem na discrição, mas a emoção vivida naqueles pequenos minutos foram indescritíveis, assim como a beleza da escultura.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Uma nova etapa

Em março desse ano, no meu último post eu falava sobre não estarmos acostumados as perdas. Não foi preciso muito tempo para eu comprovar mais ainda esse sentimento. Há exatas duas semana eu me despedi fisicamente da pessoa mais importante da minha vida: Meu Pai. Ele foi o meu esteio, meu alicerce. Com ele aprendi as coisas simples da vida, lições importantes que me fizeram a pessoa que sou hoje. Muitos dizem que eu sou muito parecida com ele, não só aparência,  mas ações e atitudes também. Talvez por isso, pela sintonia que a gente sempre teve, eu continuo com a sensação que ele está ao alcance da minha mãe, basta pegar o telefone e ligar...
Nesse processo todo o que ajudou muito foi o apoio dos amigos, manifestações de diferentes tipos, de pessoas próximas, de pessoas distantes. Nossa como isso foi importante....

segunda-feira, 21 de março de 2011

Reflexão sobre a vida...

Aprendemos desde a cedo que na vida existem perdas. Perdemos os dentes de leite, os animais de estimação, os coleguinhas que mudam de escolas, as professoras que não nos acompanham durante toda a jornada escolar e por ai vai... deveríamos ser mais forte, mais resistentes, até porque a perda é natural na nossa vida. Mas por mais que repitamos e vivamos tudo isso, nunca estamos preparados quer seja a situação mais simples, quer a mais dura e dolorosa...
Descobri que com o passar dos anos, em vez de ganharmos resistências, ficamos mais sensíveis, mais temerosos, as lágrimas são mais freqüentes, a tristeza também  ...
Coisas bobas nos desmontam, coisas fortes nos desestruturam, mas também nos mostram o quanto estamos longes de ser fortes...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hora de escrever

Estamos na reta final do processo eleitoral de 2010, e a cada dia vemos absurdos de todos os lados. São promessas malucas, candidatos sem noção, enfim um circo total. Escolhi ficar só assistindo e tenho feito isso nos últimos anos, fruto de uma decisção particular. Ser jornalista é ser ético, e pela ética não temos preferências, deveríamos ter imparcialidade, saber que mesmo que trabalhemos para o fulano ou sicrano, não deveríamos ter paixões e sim fazer o nosso trabalho. Infelizmente por aqui ainda não é assim, e é comum os amigos de ontem se tornarem inimigos do amanhã. Prefiro não arriscar. As minhas convicções a mim pertecem. meus candidatos? só a urna conhecerá. Medo? receio? não somente a certeza de que a profissão que escolhi me pede um certo dicernimento e ainda estar de um único lado o da notícia feita da maneira correta, sem proteções, sem predileções. Viva a Democracia e os devaneios também...